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Fiscalização aplica R$ 86,8 milhões em multas por crimes ambientais em Aripuanã e Colniza

Data: Segunda-feira, 19/10/2026 12:04
Fonte: Diario de Cuiabá
Operação Abafa Amazônia II fiscalizou 10,4 mil hectares em Colniza e Aripuanã, no noroeste do Estado, durante 13 dias; equipes encontraram indícios de ocupação em área embargada e apreenderam três armas de fogo
Fiscalização aplica R$ 86,8 milhões em multas por crimes ambientais em Aripuanã e Colniza

O Governo de Mato Grosso aplicou R$ 86,8 milhões em multas por infrações ambientais durante a Operação Abafa Amazônia II, encerrada no sábado (17), após 13 dias de fiscalização em áreas consideradas críticas para o desmatamento ilegal e a ocorrência de queimadas no noroeste do Estado.

Ao longo da operação, as equipes fiscalizaram 10.397 hectares nos municípios de Colniza e Aripuanã, com atenção especial à região do distrito de Guariba, onde foram identificados indícios de exploração florestal irregular, ocupações clandestinas e uso indevido do fogo.

O valor das penalidades chama atenção pela dimensão econômica das irregularidades identificadas. Entretanto, os R$ 86,8 milhões representam multas aplicadas pelos órgãos de fiscalização, e não recursos efetivamente arrecadados pelo Estado. Os valores ainda podem ser objeto de procedimentos administrativos e recursos.

O balanço divulgado não informa a quantidade de autos de infração lavrados, quantos responsáveis foram identificados nem o valor das penalidades eventualmente já recolhidas.

A operação foi coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) e reuniu órgãos estaduais e federais em uma força-tarefa destinada a combater o desmatamento ilegal, a exploração irregular de madeira, as queimadas e a ocupação de áreas protegidas por medidas administrativas.

Além das autuações, os agentes apreenderam três armas de fogo e munições encontradas durante as ações de fiscalização.

FOCO NO NOROESTE

A escolha de Colniza e Aripuanã para concentrar as ações ocorreu a partir de levantamentos de geomonitoramento e informações sobre possíveis infrações ambientais.

Segundo o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel Heitor Alves de Souza, os dados utilizados pelos órgãos de fiscalização apontavam a necessidade de reforçar a presença do poder público em regiões com maior risco de degradação ambiental.

Informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicavam uma concentração elevada de focos de calor no noroeste mato-grossense, mesmo durante o período de restrição ao uso do fogo.

Em Colniza, município apontado no balanço como aquele com maior número de focos de calor no Estado, os agentes identificaram sinais de ocupação recente em uma área que já estava embargada.

No local, os policiais encontraram um barraco recém-construído, com objetos que indicavam utilização recente, entre eles um aparelho celular, um fogão e uma panela ainda quentes.

Durante a vistoria, foi localizada uma garrucha calibre .22, com dois canos, escondida sob um colchão. Também foram apreendidas dez munições do mesmo calibre.

Em Aripuanã, os agentes encontraram outras duas armas: espingardas dos calibres .32 e .20.

As apreensões passaram a integrar os registros da operação, enquanto os órgãos competentes deverão apurar as circunstâncias da presença das armas e da ocupação identificada na área embargada.

FISCALIZAÇÃO POR TERRA E PELO AR

A operação mobilizou equipes terrestres e apoio aéreo para alcançar regiões de difícil acesso, especialmente aquelas com indícios de desmatamento, queimadas e ocupação irregular.

As aeronaves foram utilizadas no transporte de agentes, no reconhecimento de áreas suspeitas e na identificação de possíveis invasões e pontos de exploração ilegal.

Participaram da força-tarefa a Polícia Militar de Proteção Ambiental, a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), a Força Nacional de Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).

Segundo o comandante Heitor Alves de Souza, a integração entre os órgãos permitiu direcionar as equipes para locais prioritários e ampliar a capacidade de identificar irregularidades.

A fiscalização também teve como objetivo interromper atividades ilegais em andamento e reunir elementos para a responsabilização administrativa e criminal dos envolvidos.

PERÍODO PROIBITIVO 

A operação ocorreu durante o período de restrição ao uso do fogo em atividades de limpeza e manejo de áreas rurais, que começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026 em Mato Grosso.

Nas áreas urbanas, a proibição do uso do fogo permanece durante todo o ano.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a medida busca reduzir a ocorrência de incêndios florestais, especialmente em regiões onde a combinação de vegetação seca, altas temperaturas e atividades humanas amplia os riscos ambientais.

A população pode denunciar queimadas irregulares pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros, e 190, da Polícia Militar.

BALANÇO AINDA INCOMPLETO

Embora o governo tenha divulgado o valor total das multas e a extensão territorial fiscalizada, o balanço oficial não apresenta o número de autuações, a distribuição das penalidades entre Colniza e Aripuanã ou a área efetivamente desmatada identificada durante a operação.

Também não foram divulgadas informações sobre o montante já arrecadado com as multas.

Esses dados são importantes para avaliar o alcance da fiscalização e acompanhar se as penalidades aplicadas resultarão em responsabilização efetiva dos infratores.

O resultado da Abafa Amazônia II reforça a dimensão do desafio enfrentado por Mato Grosso no combate à degradação ambiental. Mesmo diante dos avanços registrados na redução do desmatamento na Amazônia, o Estado continua sob pressão em regiões onde persistem a exploração irregular dos recursos naturais, as queimadas e as ocupações clandestinas.

A efetividade das operações dependerá não apenas da identificação das infrações e da aplicação das multas, mas também da continuidade da fiscalização, da conclusão dos processos administrativos e da recuperação das áreas degradadas.