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Presos dormindo em banheiros: presídios de MT operam com 23% acima da capacidade

Data: Quarta-feira, 18/03/2026 16:41
Fonte: Primeira Pagina/ Jolismar Bruno
Segundo o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Tribunal de Justiça (GMF-TJMT), Mato Grosso teve alta significativa na população carcerária na última década.
Presos dormindo em banheiros: presídios de MT operam com 23% acima da capacidade

Os presídios públicos de Mato Grosso estão operando com 23% acima da capacidade, segundo um relatório do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Tribunal de Justiça (GMF-TJMT).

Coordenado pelo desembargador Orlando Perri, o documento revela que o estado tem capacidade de abrigar 12.947 presos, mas as unidades operam com um total de 16 mil pessoas privadas de liberdade em regime fechado, representando o percentual de 23% acima da capacidade.

Os presídios estaduais são de responsabilidade do Governo do Estado, coordenado pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus). O Primeira Página procurou a pasta pedindo explicações, mas não teve retorno até a publicação.

Confira abaixo os principais presídios de Mato Grosso com números mais expressivos operando acima da capacidade, segundo o GMF:

Unidades prisionais com superlotação

Cidade Superlotação Vagas x Presos
Barra do Garças 167% 116 / 310
Primavera do Leste 118% 114 / 314
Colniza 84% 78 / 114
Paranatinga 68% 80 / 135
Campo Novo dos Parecis 65% 154 / 255
Jaciara 63% 121 / 198
Peixoto de Azevedo 51% 256 / 387

Fonte: GMF-TJMT
Crédito: Secom-MT

Segundo o documento, o dado de Mato Grosso é ainda mais preocupante quando comparado com o cenário nacional. Enquanto o Brasil teve aumento de cerca de 29%, enquando em Mato Grosso, o crescimento foi de 66%.

Confira abaixo os números absolutos da comparação da população carcerária de Mato Grosso com a média nacional.

Cenário asssutador

O coordenador do Grupo de Monitoramento, desembargador Orlando Perri, classificou como “assustador” o crescimento da população carcerária em Mato Grosso e afirmou que o sistema já opera em colapso.

Evolução da população prisional

Local 2016 2026
Brasil 726 mil 938 mil
Mato Grosso 9.600 16 mil

Fonte: GMF-TJMT

Segundo ele, atualmente o estado conta com 41 unidades prisionais, número inferior ao de anos anteriores, já que 14 foram fechadas ao longo dos últimos anos. Desse total, 19 unidades já estão interditadas e outras 8 correm risco de interdição, devido à superlotação.

O desembargador Orlando Perri também relatou situações consideradas desumanas dentro das unidades. Segundo ele, há presos dormindo no chão e até em banheiros, “com a cabeça no vaso”, devido à falta de espaço.

Preso morre na Penitenciária Central do Estado em Cuiabá
Penitenciária Central do Estado é a principal unidade de Mato Grosso. – Foto: GOV-MT

Sem vagas nos presídios femininos de MT

O desembargador Orlando Perri também destacou a situação crítica das cadeias femininas. Segundo ele, o estado conta com apenas cinco unidades destinadas a mulheres, número considerado insuficiente diante do crescimento da população carcerária.

penitenciaria Feminina Ana Maria do Couto May
Penitenciária feminina Ana Maria do Couto May é uma das unidades que operam em MT. – Foto: Reprodução

Segundo ele, muitas dessas estruturas funcionam em prédios antigos, que já foram delegacias de polícia e não possuem condições adequadas para abrigar detentas.

De acordo com Perri, a situação chegou a um nível extremo e no estado não há mais vagas para novas presas nos presídios femininos do estado.

“Hoje, se uma mulher for presa, nós não temos onde colocá-la”, alertou o desembargador.

Interdições

Diante desses situações de superlotação nos presídios de Mato Grosso, o Tribunal de Justiça tem determinado a interdição de diversas unidades.

Um interdição recente ocorreu em Alto Araguaia(MT), após uma vistoria feita na unidade prisional identificou que o presídio estava abrigando 137 presos, sendo que a capacidade máxima é 80.

O juiz da 2ª Vara de Alto Araguaia, Ricardo Garcia Maziero, fixou o limite máximo de 109 presos na unidade e determinou que outros 28 detentos fossem transferidos. O documento ainda proíbe a entrada de novos presos até o número seja reduzido.