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Projeto hídrico do Incra/MT vira modelo e rende prêmio por levar tecnologias sociais à Amazônia

Data: Segunda-feira, 08/12/2025 10:33
Fonte: PNBONLINE
Iniciativa que começou no Alto Pantanal será ampliada para Juína e outras cidades da região Norte de MT com apoio de premiação de R$ 45 mil
Projeto hídrico do Incra/MT vira modelo e rende prêmio por levar tecnologias sociais à Amazônia

O projeto de gestão de águas desenvolvido pelo Incra em Mato Grosso, que criou soluções simples e de baixo custo para melhorar a segurança hídrica no Alto Pantanal, ganhou escala e agora servirá de base para uma nova “Vitrine de Tecnologias Sociais” na Amazônia mato-grossense. A proposta, apresentada pelo escritório do Incra no estado, venceu o Prêmio Professor Samuel Benchimol na categoria “Projetos de Desenvolvimento Sustentável na Região Amazônica” e recebeu R$ 45 mil para implantação do espaço demonstrativo.

A cerimônia ocorreu em Palmas (TO) na quinta-feira (5). A nova vitrine será instalada em Juína, no noroeste de Mato Grosso, área de transição entre Cerrado e Amazônia, onde desde 2021 funciona um polo de tecnologias sociais voltado à segurança hídrica. A verba permitirá ampliar e atualizar a estrutura, com orientações técnicas baseadas em padrões da Embrapa.

A ideia é oferecer capacitação prática sobre o uso de “barraginhas” — pequenas bacias escavadas para captar água da chuva — como ferramenta para enfrentar a escassez hídrica, reduzir erosão, conservar o solo e recarregar aquíferos. A expectativa é que agricultores familiares, técnicos, comunidades tradicionais e gestores públicos utilizem o espaço como referência.

A vitrine deverá atender diretamente municípios do noroeste do estado, como Juína, Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juruena, Rondolândia, Juara e Brasnorte, além de outras cidades com potencial de replicação, entre elas Sinop, Sorriso, Diamantino, Confresa e Acorizal. Nessas áreas vivem milhares de famílias assentadas, agricultores familiares, ribeirinhos e quilombolas.

Reconhecimento na Amazônia

Coordenador do projeto hídrico do Incra/MT, o engenheiro agrônomo Samir Curi foi um dos autores da proposta vencedora e representou a autarquia na premiação. Ele afirma que não imaginava ver a iniciativa expandir-se para a Amazônia. “Receber este reconhecimento confirma que estamos no caminho certo e que esse esforço se consolida como referência para toda a região”, disse. Curi destacou o trabalho dos professores Wagner Smerman e Josemir Rocha, parceiros na experiência desenvolvida em Juína.

Além deles, assinam o projeto a professora Solange Aparecida Arrolho da Silva, da Unemat em Alta Floresta; o doutorando Wagner Smerman; o mestre Josemir Paiva Rocha; e o especialista Márcio Menegussi Menon. Para Smerman, o prêmio reforça a relevância do trabalho iniciado para enfrentar dois desafios típicos de Juína: excesso de água na chuva e escassez na estiagem. Rocha afirma que a conquista renova a responsabilidade de ampliar ações de recuperação ambiental.

O que são as vitrines

As chamadas “Vitrines de Tecnologias Sociais” funcionam como unidades demonstrativas que reúnem soluções de captação, conservação e armazenamento de água. Elas ajudam produtores e gestores públicos a adotar técnicas adaptadas às condições locais, com impacto na redução da vulnerabilidade climática, no fortalecimento da agricultura familiar e no abastecimento de comunidades rurais.

O modelo já existe em Cáceres (desde 2009), Juína (2021) e Chapada dos Guimarães (2024), em parceria com UFMT, Sema e outras instituições. Em novembro deste ano teve início a implantação de uma vitrine em Barra do Garças. Em 2026, o projeto chegará às regiões de Rondonópolis e Jaciara.

Origem no Alto Pantanal

Criado em 2009, o projeto de gestão de águas do Incra/MT nasceu para solucionar a insegurança hídrica no Alto Pantanal, que sofre com escassez durante a seca apesar da abundância de água no bioma. A primeira implantação ocorreu no assentamento Rancho da Saudade, onde foram construídas 68 barraginhas e 23 “quebra-molas” em estradas vicinais, aumentando a recarga de aquíferos e beneficiando 160 famílias e duas escolas rurais.

O projeto se apoia em tecnologias sociais alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e já demonstrou capacidade de ser replicado em outras regiões rurais do país, devido ao baixo custo e resultados consistentes.

Série de prêmios

O reconhecimento em Palmas representa a oitava premiação recebida pela iniciativa. O projeto já venceu o Prêmio Melhores Práticas A3P/2018, o Prêmio ANA 2020, o Troféu Seriema (2021), o Prêmio SiBBr de Biodiversidade (2022), além de duas premiações na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em 2024 e 2025.

Parcerias

O projeto reúne uma ampla rede institucional, que inclui Incra/MT, Juvam Cuiabá, Justiça Federal e Estadual de Cáceres, WWF, Consórcio Nascentes do Pantanal, Embrapa, Empaer, Unemat, UFMT, prefeituras, SEDUC, Ministério Público Estadual e Federal, Ibama e outras entidades.