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Escola indígena Pasapkareej participa do ENEM pela primeira vez em Aripuanã

Data: Quinta-feira, 27/11/2025 08:37
Fonte: Por Natasha Martins/ O MATO GROSSO
Mobilização comunitária supera barreiras históricas e leva estudantes Cinta Larga à prova nacional
Escola indígena Pasapkareej participa do ENEM pela primeira vez em Aripuanã

A Escola Estadual Indígena Pasapkareej, localizada na Aldeia Taquaral, da etnia Cinta Larga, na Terra Indígena Aripuanã, viveu em 2025 um marco histórico: pela primeira vez, estudantes da comunidade participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O feito, celebrado por toda a aldeia, situada a 110 quilômetros de Aripuanã, é resultado de um amplo processo de mobilização que transformou desafios em um projeto coletivo de futuro.

A Diretoria Regional de Educação (DRE) do Polo Juína, que atende 10 municípios, identificou em 2024 que nenhum aluno da Pasapkareej havia se inscrito no ENEM. A constatação acendeu um alerta sobre os obstáculos que impediam o acesso dos jovens à prova. Entre as barreiras estavam a falta de documentação básica, o desconhecimento sobre ensino superior e programas como Sisu e ProUni, custos para inscrição e deslocamento, além das dificuldades logísticas para chegar até a cidade.

Com orientação da DRE, a escola decidiu transformar o cenário em meta: garantir que, em 2025, ao menos um estudante da comunidade Pandeereej realizasse o ENEM, dando início a um novo ciclo na formação dos jovens indígenas.

A mobilização envolveu professores, equipe gestora e lideranças locais. Foram organizadas rodas de estudo com turmas do ensino fundamental e médio, em atividades lúdicas que apresentavam o formato da prova. Mutirões foram realizados para emissão de documentos, criação de e-mails, solicitação de isenção e orientação sobre o processo de inscrição. A escola ainda preparou kits com água, frutas e lanches para apoiar os estudantes no dia do exame.

O trabalho direto das professoras Andreia, Osiane, Janete, Rosângela e Gleicyelli acompanhou os alunos Deivid, Elisson, Gilmersom, Graciela, Isadora, Rainik e Neison desde o início da preparação até o momento da prova. A liderança comunitária também teve papel essencial. O cacique David Cinta Larga, com apoio da diretora Beatriz Cinta Larga, organizou o transporte até a cidade, garantindo deslocamento seguro.

Para Beatriz, o avanço representa mais do que presença em um exame nacional: é a construção de um caminho de autonomia e oportunidades para a juventude indígena. O cacique David reforça a importância simbólica do momento.

“A primeira participação da nossa escola no ENEM não é apenas um dado estatístico, mas um marco simbólico e concreto. Representa o início de uma jornada que une fortalecimento cultural, autonomia e acesso a oportunidades. A experiência de 2025 abre um novo tempo para a juventude Pandeereej, que agora olha para o futuro com mais clareza, mais possibilidades e muita esperança”, destacou.

A iniciativa inaugura uma nova etapa na educação da comunidade Cinta Larga e fortalece o compromisso coletivo com a formação das futuras gerações.