Fonte:sonoticias
A exploração sustentável de produtos não-madeireiros, como a castanha-do-Brasil nem sempre foi vista como economicamente viável. Na região noroeste de Mato Grosso, parcerias entre agricultores, indígenas, extrativistas, empresas, entidades não-governamentais e governos locais e estadual têm mostrado que essa opção não só é possível e viável economicamente, como já é uma realidade. No município de Juruena, a 920 km de Cuiabá, uma parceria inédita, entre uma empresa madeireira e uma cooperativa de pequenos produtores apoiados pelo projeto Poço de Carbono Juruena já começa a dar novos e bons frutos.
Um termo de cooperação técnica firmado entre a Rohden Indústria Lignea, Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (COOPAVAM), Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (ADERJUR) e o Projeto Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste de Mato Grosso, executado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA-MT), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vai garantir o aumento da produção de castanha-do-Brasil de agricultores familiares do Município de Juruena, região Noroeste de Mato Grosso. Pelo termo de cooperação, firmado no mês passado, a empresa irá permitir a exploração de castanha na fazenda Rohsamar, que possui uma área de 25 mil hectares, cujo único uso até então, era o manejo florestal madeireiro de baixo impacto.
O objetivo da parceria é apoiar a produção e comercialização de produtos florestais não-madeireiros por agricultores familiares, como forma de valorizar a conservação e o uso sustentável da floresta. Para Felipe Stühler, diretor da Rohden, a cooperação ajuda a conscientizar a população de que é possível desenvolver o setor florestal com uso sustentável de produtos não-madeireiros. “A extração de castanha em nossa área ajuda o desenvolvimento do município, pois vai garantir o aumento da produção da cooperativa”, aponta. “Além disso, esta é uma forma também de ajudar a proteger a nossa área”, complementa.
Essa parceria foi viabilizada graças a iniciativa do Projeto Poço de Carbono Juruena, executado pela ADERJUR com o patrocínio do Programa Petrobras Ambiental e da Rohden Indústria Lignea, através de seu comprometimento com as questões socioambientais. O projeto Poço de Carbono Juruena selecionou inicialmente um grupo de nove agricultores que participará da coleta de castanha na fazenda. O primeiro passo será fazer um levantamento das castanheiras e a definição das áreas de coleta, que será efetuada em etapas. Paulo César Nunes, coordenador técnico do projeto Poço de Carbono Juruena explica que a meta é que os agricultores possam atingir uma produção anual de 100 toneladas de castanha, que atualmente está em 65 toneladas. “A fazenda é a maior área de floresta particular do município e a Rohden, que está há 30 anos na região, é uma empresa responsável”, avaliza.
De acordo com o coordenador, o interesse por esta parceria já existia há pelo menos quatro anos, mas com a realização do projeto, foi possível garantir sua viabilização. O grupo de agricultores selecionado está recebendo treinamento para entrar na área de maneira que a coleta respeite a regeneração natural da espécie e a fauna local, a qual precisa de uma parte das castanhas para alimentação, que seja sempre usado o equipamento de proteção individual (EPI), oferecidos pelo projeto. Toda a produção será registrada para demonstrar a viabilidade da extração e a partir de 2011 será feita a medição de biomassa das castanheiras, para estimar o estoque de carbono sendo conservado nestas árvores na floresta. Simultaneamente os agricultores serão capacitados para a produção de um mapa dos castanhais com uso de GPS para facilitar a coleta e o transporte da castanha dentro da floresta.
Para Irineu José Bach, diretor de produção da Coopavam, a parceria, além de viabilizar o aumento da produção, irá ajudar a reduzir os custos de sua produção. “A extração de castanhas na área do assentamento não é suficiente para a nossa produção, por isso compramos de extrativistas parceiros, como é o caso dos índios Rikbaktsa”, explica. “Como a área da Rohden é vizinha do assentamento, nós podemos aumentar a produção sem aumentar muito o custo dessa produção”, completa.
A fábrica de castanha da Coopavam teve início em 2008 e em dois anos já aumentou sua produção em 50%, envolvendo 14 famílias do assentamento Vale do Amanhecer. Apesar desse rápido crescimento, Irineu Bach, garante que é a soma de esforços e parcerias que vem garantindo o resultado. Além dos parceiros na região, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) tem sido muito importante para realização de seus negócios. Atualmente vendem castanha sem casca para a CONAB, distribuindo o produto na merenda escolar em 06 Municípios da região e para mais duas grandes empresas, além disso, estão desenvolvendo castanha com sabores, como salsa, cebolinha e churrasco, ainda em fase de testes.