ARIPUANÃ, Sábado, 19/10/2019 -

NOTÍCIA

Amazonas registra dez acidentes aéreos neste ano; FAB investiga os casos

Estudo revela que as principais causas dos acidentes são: falhas do piloto em voo, perda de controle no solo e perda de controle em voo

Data: Terça-feira, 01/10/2019 08:30
Fonte: TODA HORA/ CARLA ALBUQUERQUE
FOTO: DIVULGAÇÃO/PM

De fevereiro a setembro deste ano, foram registrados no Amazonas, 10 acidentes aéreos. Mas de acordo com a Força Área Brasileira (FAB), em nenhum deles foi possível identificar as causas. Conforme a FAB, as investigações ainda estão em andamento sendo realizadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), mas, ainda, sem previsão de conclusão.

Consta nos dados estatísticos de Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) que entres os anos de 2008 a 2017, o Amazonas aparece como o segundo Estado da Região Norte com o maior percentual de acidentes aéreos, 3,5%. Ele fica atrás somente do Pará, que concentrou 7,2%. 

O estudo revelou que as principais causas dos acidentes nesse período foram falhas do piloto em voo, perda de controle no solo e perda de controle em voo, que representam 53% do total de acidentes.

Ainda segundo dados da FAB, a cidade de Coari (a 365 quilômetros de Manaus) é apontada como o município com maior número de acidentes registrados no Estado, três no total. Foi lá que a polícia registrou um caso curioso, onde uma aeronave foi encontrada, em 19 abril, no topo de uma árvore. De acordo com a Polícia Civil (PC) investigações apuram se o avião estava sendo usado por traficantes de drogas.

Logo atrás de Coari, aparece Manaus aparece com dois casos. Um deles ocorreu, no último dia 16, quando dez pessoas ficaram feridas, após a aeronave de pequeno porte ter caído em uma área de mata, no Tarumã, na zona Oeste da cidade.

De acordo com a FAB, até o dia 16 de setembro, já haviam sido registrados no Amazonas, nove acidentes aéreos, que envolveram as aeronaves PR-RTA, ocorrido em 9 de fevereiro, em Barcelos; PU-FDN, 19 de abril, em Coari; PT-YTJ ocorrido em 6 de maio, em Novo Aripuanã; PR-PPL, 8 de junho, em Iranduba; PU-SUC, 23 de julho, em Coari; PT-VNH, 23 de julho, em Coari; PR-RAU, 25 de julho, em Autazes; PR-EAM, 7 de agosto, em Manaus; e PT -MHC, 16 de setembro, em Manaus.

Na manhã deste domingo, 29/9, um novo acidente aéreo foi registrado. Desta vez, uma aeronave de Prefixo- PRZJO fez um pouso forçado em uma área particular em Apuí (a 1.06 quilômetros de Manaus).

Segundo o delegado 71ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Francisco Rocha, à polícia, o piloto norte-americano Mattew Urbam Eteivngen disse que tinha saído de Santarém com destino à cidade de Humaitá, quando ficou sem combustível e fez um pouso forçado. O homem se intitulou missionário da congregação Sal e Luz.

Investigações

A FAB informou que estão em andamento as investigações dos acidentes aeronáuticos que aconteceram na região do Amazonas, em 2019. O objetivo de toda investigação realizada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) é prevenir que outros acidentes com características semelhantes ocorram.

Familiares sofrem sem resposta

O dia 6 de maio foi o último em que a dona de casa Aline Santana viu o marido dela, técnico em telefonia Santana Santos Oliveira Vale. Ele morreu após a queda de um helicóptero, em Novo Aripuanã (a 228 quilômetros de Manaus), junto com outras três pessoas. Do homem, a única parte do corpo que foi encontrado, foi o crânio.

“Não está sendo nada fácil. Até hoje, não tivemos nenhuma ajuda. Tenho cinco
filho e nossas vidas não estão nada fáceis”, diz Aline. 

A reposta da Justiça, geralmente, demora. Os familiares de uma das seis vítimas fatais de um acidente aéreo em Apuí (AM), ocorrido em julho de 2013, foram indenizados em R$ 1,5 milhão, mas a decisão chegou apenas em 2017. 

Segundo a juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, da 9ª Vara Cível de Manaus, as provas apresentadas comprovam o dano e o nexo de causalidade necessários para responsabilizar as duas empresas e seu dono em comum. “Eis que, ainda que não pretendido, o lamentável acidente ocorreu ante a ordem emitida por este [dono das empresas] para a realização do transporte”, disse.