ARIPUANÃ, Quarta-feira, 18/09/2019 -

NOTÍCIA

Preço da arroba do boi despenca em MT após caso atípico de vaca louca

O Ministério da Agricultura suspendeu o envio de carnes para a China e essa ação fez com que as indústrias adotassem outras estratégias de compra e também de abate dos animais em Mato Grosso.

Data: Segunda-feira, 10/06/2019 14:22
Fonte: Por Emerson Sanchez, TV Centro América

Caso atípico de vaca louca em um animal de uma fazenda de Nova Canaã do Norte, a 696 km de Cuiabá. Por se tratar de um caso que ocorre de forma espontânea, sem riscos para a população, a Organização Internacional de Saúde Animal já considera o caso encerrado e não alterou o status brasileiro, que continua como insignificante para a doença.

Mesmo assim, por medida protocolar, o Ministério da Agricultura suspendeu o envio de carnes para a China e essa ação fez com que as indústrias adotassem outras estratégias de compra e também de abate dos animais em Mato Grosso. O resultado foi a queda no preço da arroba.

O serviço de embarcar gado na fazenda do pecuarista Fábio Neves está lento desde que a notícia de um caso de vaca louca repercutiu no país. As 36 vacas levadas já tinham sido vendidas ao frigorífico na semana anterior.

"Nós vendemos essas fêmeas a R$ 137 a arroba com 30 dias. Hoje a indústria quer pagar os R$ 130 e nesse número a gente chega a conclusão de que não dá para comercializar", afirmou o pecuarista.

Na região Sul do estado a arroba do boi gordo passou de R$ 145 para R$ 138.

 

Essa nova tabela de preços praticada pela indústria frigorífica não agrada os criadores, que temem em fechar as contas no vermelho, já que sequer cobrem os custos de produção.

O sindicato que representa os frigoríficos de Mato Grosso alega que algumas indústrias até deixaram de comprar animais no início da semana passada, não pela resistência dos criadores em relação aos novos preços, mas sim para equacionar o mercado, já que a suspensão de embarques para a China poderia resultar em grandes volumes de carne para o mercado interno.

A entidade não quis dizer quantos frigoríficos teriam reduzido os abates, mas todas as unidades já voltaram com as operações.

De acordo com o Sindifrigo, o estado tem 41 plantas frigoríficas, destas 32 são habilitadas para exportação.

Segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), nos quatro primeiros meses deste ano, o volume da exportação já passa das 121 mil toneladas, ou seja, 26,6% a mais do que as 95 mil toneladas exportadas entre janeiro e abril do ano passado.

São esses números que ajudam a entender porque a entidade é contra a suspensão das exportações de carne bovina do Brasil para a China depois da confirmação do caso atípico de vaca louca no estado.

“De acordo com os protocolos e principalmente com a China, bilateral, não inibia nenhuma exportação para aquele país ou demais países. Isso não daria fechamento de nenhum mercado internacional”, afirmou Marco Túlio Soares, presidente da Acrimat.

Segundo o Indea, todas as medidas sanitárias foram seguidas.

“Nós não perdemos o estado sanitário e isso comprova que nossa vigilância está muito bem, porque todo animal que chegar para abate, se estiver com qualquer sintoma neurológico, é feito o abate de emergência e é coletado o tecido nervoso justamente para fazer esse controle. Então não tem risco nenhum, nem para a população, nem para nosso rebanho”, afirmou Tadeu Mocelin, presidente do Indea.

 

Para o Instituto Mato-grossense da Carne, outra consequência para o mercado é o adiamento para a habilitação de novas plantas frigoríficas para exportação.

“O momento era de estreitar a confiança, habilitar novas plantas, ampliar nosso leque. Nós sabemos que a China passa por um problema de abastecimento em função da peste suína africana. Há a necessidade de aumento de compra, de proteína animal pelo mundo e Mato Grosso é um local preparado, que tem produção suficiente para atender esse mercado. Tropeçamos nessa semana, mas temos certeza que com o emprenho do Ministério da Agricultura e das Relações Exteriores a curto prazo retomaremos o processo de ampliação desse mercado para carne brasileira”, disse Guilherme Nolasco, presidente do Imac.