ARIPUANÃ, Sábado, 20/07/2019 -

NOTÍCIA

Vereador pede cassação de colega em Cuiabá por quebra de decoro

Renivaldo cita que Abilinho entrou na casa de Emanuel chutando a porta.

Data: Terça-feira, 14/05/2019 08:09
Fonte: FolhaMax/ RODIVALDO RIBEIRO

O vereador Abílio Júnior (PSC) conseguiu mais duas polêmicas logo no início da semana. Na mais recente delas, o colega de Câmara Municipal, Renivaldo Nascimento (PSDB), informou que vai apresentar na sessão desta terça-feira (14) um procedimento para pedir à Comissão de Ética apurar quebra de decoro parlamentar e do princípio da lei de impessoalidade por parte do desafeto.

A outra é uma nota pública de esclarecimento do Sindicato dos Agentes de Fiscalização do Município de Cuiabá (Sindasfimc), que o acusa de faltar com a verdade e de fazer uma manifestação infundada, ilegal e imoral contra os fiscais. Essas duas defenestrações públicas contra o vereador têm uma origem comum: a confusão causada pela gravação na quinta-feira (9) de um vídeo da porta da casa em obras do prefeito feita por Abílio para acusar Emanuel Pinheiro (MDB) de tocar a reforma sem a devida autorização para isso.

Renivaldo que é da base do prefeito; Abílio é dos mais ferrenhos opositores. O tucano afirmou com todas as letras que o objetivo é punir Abílio Jacques Brunini Moumer Júnior por “expor” a casa do prefeito por meio de live e proceder, sem jurisdição ou atribuição para tal, à fiscalização de uma obra particular.

No entendimento dele, o presidente Misael Galvão (PSB) tem obrigação de apurar o fato, porque Brunini não é fiscal. “Existem outros meios para fazer isso. Nós temos que saber como conduzir e como chegar àquela situação. Não podemos chegar dando chute em porta por aí, mostrando em live o interior de casa do prefeito, de casa de particular”, disse Renivaldo.

Da parte do Sindasfimc, o texto da nota fala diretamente à “população cuiabana” que “infelizmente o nobre vereador” prefere o sensacionalismo à verdade dos fatos, não busca se informar previamente e por isso não sabia que a casa em questão já havia sido vistoriada juntamente com outras dezenas que o são diariamente em Cuiabá e que, 24 horas depois que ele protocolou a denúncia, a área foi novamente vistoriada e mesmo assim nada foi encontrado de irregular. A nota também afirma que Abílio Junior na verdade tentou fazer com que os servidores entrassem no carro dele para juntos irem até a casa do prefeito e por causa da frustração do intento resolveu falar contra os servidores.

Procurado, o vereador social-cristão respondeu dizendo que o presidente Sindasfimc, que assina a nota, Paulo Henrique de Figueiredo, age em causa e interesses próprios. “Olhe quem assina a nota. Ele é irmão do secretário de Mobilidade Urbana, Antenor Figueiredo, além de suplente de vereador. Assumiu mandato por um mês, na base do prefeito. Ele é um dos articuladores de um projeto de verba indenizatória para fiscal e reajuste salarial, inclusive com um plano de carreira. Não acho que seja esse o motivo, mas é suspeito, né?, porque até agora o alvará não apareceu”, ironizou.

Quanto às acusações do colega Renivaldo, Abílio foi ainda mais irônico e seco: “manda ele entrar com esse pedido, eu vou ensinar pra ele o que é o princípio de quebra de impessoalidade”. Também afirmou que não têm receio algum de eventual abertura de procedimento investigatório de quebra de decoro parlamentar, que, em tese, poderia terminar com uma cassação de seu mandato caso passe pela comissão de ética e vá à apreciação em plenário. “Seria ferir a lei se eu estivesse contratando com o poder público, e não é o caso. Renivaldo deveria estudar”.

O CASO

Abílio Júnior foi até a rua do bairro Jardim das Américas, zona sul da capital, onde mora o prefeito Emanuel Pinheiro. Era a tarde de quinta-feira (09). O motivo da visita não autorizada do vereador seria uma denúncia de obra realizada na casa de Emanuel sem a devida autorização em alvará da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Smades).

Como é de hábito, Abílio gravava por celular enquanto descrevia seu “ato fiscalizatório”. Ele não percebe, entretanto, quando um negro alto aparece ao fundo da imagem, caminha silenciosamente até ele e toma o aparelho abruptamente de suas mãos. Uma discussão tem início e o vídeo é interrompido. O resultado foi que a Polícia Militar foi chamada por ambas as partes e todos foram parar na delegacia, onde cada um produziu um boletim de ocorrência contra o outro.