ARIPUANÃ, Domingo, 19/05/2019 -

NOTÍCIA

Nocaute selvagem de Bate-Estaca compensa Anderson Silva e Zé Aldo

Data: Segunda-feira, 13/05/2019 08:23
Fonte: DO R7

Quando, aos dois minutos e cinquenta e oito segundos, Jéssica Andrade levantou Rose Namajunas e girou o corpo da norte-americana no ar, fazendo com que ela caísse com todo seu peso na nuca, o nocaute foi brutal.  

Um dos mais impressionantes da história do UFC. 

Rose perdeu os sentidos. 

E Jéssica mostrava o porque do seu apelido Bate-Estaca. Esse é o nome do golpe que salvou não só uma noite que parecia lastimável para o MMA brasileiro, no UFC 237.

Mas demonstrou o poder das mulheres brasileiras.  

Os homens que já marcaram a história do UFC, agora não têm qualquer cinturão. Já as mulheres, de quatro cinturões, possuem três. 

Amanda Nunes tem dois. 

O dos penas e o dos galos. 

E o palha agora é de Jéssica Bate-Estaca, com direito a bônus de R$ 395 mil, pela melhor luta do evento.

Mais do que merecido. 

A luta valendo o cinturão foi espetacular, vibrante, cheia de alternativas. Rose Namajunas é muito técnica, veloz. E tem oito centímetros a mais que Jéssica. 1m65 contra 1m57 da paranaense. 

No primeiro round ela fez valer a estatura, desferindo jabs, diretos e cruzados na brasileira. Conseguiu dar um knockdown, derrubando Jéssica com um potente direto.

A torcida brasileira na Jeunesse Arena ficou estarrecida, estava traumatizada pelas derrotas nas lutas anteriores de Anderson Silva, José Aldo, Thiago Pitbull e Bethe Correia. 

Mas com Jéssica foi diferente. Ela já havia tentado surpreender a norte-americana duas vezes no primeiro round, com o golpe que a consagrou. 

Rose conseguiu na segunda vez travar o braço direto da paranaense. Suspense, tensão na arena. Jéssica escapou por pouco.

O primeiro assalto foi da então campeã.

O segundo começava da mesma maneira. Com Rose acertando jabs, mostrando sua superioridade imposta pela técnica e envergadura. 

Mas ela não esperava pela brutalidade pura. 

Aos 2m58 segundos, Jéssica usou o golpe que a desclassificou da primeira disputa de título, ainda amadora, no jiu-jitsu. Ela levantou a adversária, girou seu tronco e fez com que ela caísse de cabeça no tatame. Golpe inválido que lhe tirou a medalha de campeã. 

Mas nas regras do mma, o golpe é permitido. 

Jéssica é baixa, mas troncuda, muito forte.  

A brasileira foi contra a lógica, já que havia tentado duas vezes o golpe. Só que mesmo prevenida, a campeã não conseguiu evitar flutuar no ar.

E cair com a nuca no piso do octógono.

Namajunas já caiu nocauteada. Mas Jéssica foi conferir, aplicou mais alguns socos e Rose perdeu de vez os sentidos e o cinturão. 

"Eu voltei muito consciente do que eu tinha que fazer no segundo round. Ela voltou mais lenta e eu dei um bate-estaca. Eu nunca dei um bate-estaca na minha vida (no UFC, evidente, não ganhou o apelido à toa). Precisou de muita dedicação, mas hoje deu certo", disse a nova campeã. 

A vibração por parte do público brasileiro na arena foi de euforia.

E alívio.

Porque nas outras quatro lutas principais só derrotas brasileiras

A começar pelo co-main event.

Anderson Silva deu mais um passo decisivo para a aposentadoria.

Ele é uma lenda do UFC. Foi campeão por seis anos dos médios. Poderia ter sido pelo menos mais um, se não tivesse se

deixado levar pela obrigação de dar show contra o limitado Chris Weidman.

No Rio, ontem, ele enfrentou um lutador forte, voluntarioso. Mas absolutamente previsível: o norte-americano Jared Cannonier. 

Na sua carreira de altos e baixos, Cannonier ainda avisou o que faria. Disse que o caminho para 'acabar' com Anderson Silva eram os chutes.

O brasileiro entrou para o octógono com o aval de uma carreira brilhante. Mas, melhor do que ninguém, ele sabe que tem 44 anos. E que os reflexos não são os mesmos. A explosão muscular, a velocidade, a resistência. Tudo piorou muito.

E o que se viu foi um lutador lento, sem movimentação, parado diante do truculento Cannonier. O norte-americano apenas cumpriu seu plano que havia anunciado.

Enquanto ameaçava a trocação, usava, na verdade, seus jabs para distrair Anderson.  O que queria era os chutes poderosíssimos no joelho direito do brasileiro.

Faltavam reflexos para fugir das pancadas.

Foram quatro chutes poderosíssimos.

No quarto deles, os meniscos de Anderson não aguentaram.

O lutador desabou no octógono.

Estava nocauteado, aos 4 minutos e 41 segundos do primeiro round.

Um balde de água gelada na torcida.

"Desculpa, galera. Nos treinos eu já estava com o joelho machucado. Não deu para segurar. Desculpa. Desculpa. Desculpa", disse, envergonhado, o veterano, que deixa claro que o lutador excepcional que foi não existe mais.

O futuro de Anderson no UFC é incerto.

Ele já está milionário.

E não consegue se impor diante dos top 10 da nova geração dos médios.

A outra enorme decepção foi José Aldo.

Ele também está longe do seu auge.