ARIPUANÃ, Quarta-feira, 26/06/2019 -

NOTÍCIA

Fávaro admite candidatura e diz: "Corrigiram um pleito desleal"

TRE de Mato Grosso cassou o mandato de senadora do PSL por abuso de poder econômico e caixa 2

Data: Sábado, 13/04/2019 13:34
Fonte: MÍDIA NEWS/ CÍNTIA BORGES E CAMILA RIBEIRO

O ex-vice-governador Carlos Fávaro (PSD) confirmou que será candidato em uma possível eleição para o Senado, caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantenha a decisão que cassou o mandato da senadora Selma Arruda (PSL) e determinou a realização de novo pleito em Mato Grosso.

Ela teve o mandato cassado, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), em sessão realizada na quarta-feira (10).

Fávaro é parte ativa na ação eleitoral que julgou que a chapa de Selma - formada ainda pelos suplentes Gilberto Possamai e Clerie Mendes - cometeu abuso de poder econômico e prática de caixa 2. 

“Em respeito aos 434.976 votos que tive, de pessoas que confiaram em mim e nas minhas propostas e dos meus suplentes, sou candidato. [Esses eleitores], mesmo em momento de desvantagem explícita na minha campanha, acreditaram e votaram. Em respeito até os eleitores da senadora cassada, que confiaram que ela estava fazendo algo certo e lícito, sou candidato”, disse ele.

A declaração foi dada durante coletiva de imprensa concedida na tarde desta quinta-feira (11).

Em respeito até os eleitores da senadora cassada, que confiaram que ela estava fazendo algo certo e lícito, sou candidato

“[Sou candidato] em respeito ao posicionamento dos juízes, da celeridade, do enfrentamento de não deixarem a coisa errada ficar encoberta. Não houve corporativismo [no TRE] e em respeito a eles, sou candidato”, acrescentou Fávaro.

Ele, que concorreu tendo como suplentes José Lacerda e Geraldo Macedo, disse não ser possível, neste momento, fazer projeções sobre uma nova composição de chapa ou até mesmo a reedição dela.

“Eu não posso dizer que eles serão meus suplentes, mas ficaria muito honrado se fossem. E por óbvio, não fiz e nem farei nada antes que as regras permitam”, afirmou.

"Queimou a largada" 

Ainda durante a coletiva, Fávaro comentou o resultou do julgamento realizado na tarde de ontem.

Segundo ele, esta é a "segunda grande derrota" de Selma, já que, além de cassada, ela também teve suas contas de campanha reprovadas por unanimidade pelo TRE.

“A senadora cassada ‘queimou a largada’, foi desleal e a Justiça foi feita. [...] O dia de ontem revigorou a minha confiança e a de todos os mato-grossenses em uma Justiça célere, experiente, justa e que não é corporativista, que não se deixou abater por chicanas. Renovou as minhas forças e a política está no caminho certo”, disse Fávaro.

Na avaliação dele, o julgamento Tribunal Regional Eleitoral (TRE) foi “brilhante e incontestável”.

“A doutora Marilsen Andrade Addário assumiu os trabalhos e coordenou de forma perfeita a sessão. Inclusive, não precisava votar e votou. Doutor Pedro Sakamato fez um voto brilhante e incontestável, que levou os seis desembargadores a acompanhar seu voto. Não posso deixar de dizer da atuação do doutor Jackson [Coutinho],  que não obstruiu o direito do Sakamoto de ser o relator dos trabalhos. Postura firme”, elogiou.

A senadora cassada ‘queimou a largada’, foi desleal e a Justiça foi feita. [...] O dia de ontem revigorou a minha confiança e a de todos os mato-grossenses em uma Justiça célere, experiente, justa e que não é corporativista

Além da cassação do mandato, o voto de Pedro Sakamato pedia para que, enquanto não se estabelecesse prazo para novas eleições, o terceiro colocado nas urnas em 2018, ocupasse o cargo. No entanto, neste ponto, Sakamoto foi voto vencido.

Fávaro, que se beneficiaria dessa decisão, disse que não ficou decepcionado com os outros juízes eleitorais. 

“Eu aceito com tranquilidade. Não estou aqui para fazer revanchismo, ou assumir uma vaga no Senado pela via judicial. Essa é uma questão constitucional que será tratada como tal. O importante é que o ilícito foi corrigido”. 

O ex-vice-governador, que agora ocupa cargo de coordenador do Escritório de Representação de Mato Grosso (Ermat) em Brasília, afirmou que caso haja novas eleições e, se necessário, irá se descompatibilizar do cargo do Governo de Mato Grosso.

“Corrigiu em parte”

Fávaro ainda aponta que a decisão da Corte Eleitoral “corrigiu em parte” os efeitos causados pelo “abuso de poder econômico” e “caixa 2”.

“Eu e os outro nove candidatos também gastamos dinheiro, de forma honesta. Dinheiro público, inclusive, do Fundo Eleitoral, que foi investido, mas que não serviu para me eleger porque tinha uma concorrente de forma desleal. Isso não será mais separado”. 

“Quem vai indenizar esses candidatos? Quem vai financiar, caso ocorra, uma nova eleição? É dinheiro público que será gasto”, disse Fávaro.