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Serys e a coerência histórica

Data: Domingo, 25/04/2010 00:00

Fonte:diariodecuiaba/vilson aguiar

Eu sempre digo que a história é a mãe da sabedoria. Mais cedo ou mais tarde, ela revela quem esta certo e quem está errado. A história, no entanto, já consagrou que a pressa é a grande inimiga do entendimento, da compreensão. Estão com muita pressa em deteriorar a história da senadora Serys, uma mulher guerreira, cunhada no sacrifício pelo Partido dos Trabalhadores, baseado nos ideais da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

E se a questão é de história, os três mandatos da senadora como deputada estadual já seriam suficientes para descaracterizar qualquer menção que a clássica de incoerente, como tenta fazer crer alguns mais afoitos, depois do dilacerante processo das prévias. Ou de seu posicionamento quando a senadora afirmou em alto e bom som que estaria ao lado daqueles que estiveram com ela.

Antes de estabelecer um julgamento, se faz necessário recompor os fatos. Basta ir a 2002, quando ela foi levada pelo partido a enfrentar “feras” da política como Dante de Oliveira, Jonas Pinheiro, Murilo Domingos, Carlos Bezerra, entre outros. Ela venceu. Em 2006, aceitou enfrentar um governo que vinha encantando os eleitores. Com o apoio de todo o PT, inclusive dos que hoje a detratam, lá estava ela se colocando como opção para garantir aqui o palanque do presidente Lula, disputada em dois turnos.

Nem quero entrar no mérito sobre esse segundo turno, que nasceu graças a insanidade de um grupelho marginal do PT denominado de “aloprados”. Sabemos quem são os “aloprados”. Eles têm nome, sobrenome e endereço. E não adianta tentar disfarçar.

Chegamos a 2010. Ou melhor, 2009. O Brasil afundado numa crise política sem precedentes na história da República. Vibrante no cenário político nacional, Serys mais uma vez é colocada ao sacrifício do PT. Pela governabilidade, não se dedicou como deveria na eleição do Diretório Regional. Mal teve tempo de vir votar. Serys foi escalada para “segurar” o problema. As raposas petistas – é gente, o PT tem raposa sim, basta olhar bem a fisionomia de cada um que ficará fácil reconhecê-las – se aproveitaram disso e engendraram sua melhor forma de ser: a traição.

Com prestígio junto aos mais diferentes segmentos pela sua forma de atuação no Senado, primeira mulher a presidir o Congresso Nacional, classificada entre os dez senadores de destaque por presença, projetos apresentados e projetos relatados, articuladora de grandes obras estruturais para Mato Grosso, eu pergunto: não era natural a sua candidatura a reeleição? Não era natural dar a ela a oportunidade impar de dizer ao povo de Mato Grosso “eu fiz isso... eu ajudei construir aquilo”? Não era a melhor tática de mostrar que o PT sabe fazer também em Mato Grosso? Para os interesses subalternos, não!

Levar o PT as prévias foi a saída deixada por esse grupo que se aproveitou para fazer uma história às avessas dentro do Partido dos Trabalhadores. Serys, determinada, tinha o direito de defender o seu trabalho e a sua história. E saiu vitoriosa, sim! Nesse processo interno, ela mostrou que tem liderança, que faz política de forma coletiva, vencendo nos grandes centros populacionais. Lamentável dizer, no entanto, que o jeito rasteiro prevaleceu.

Questiono: onde está a incoerência da senadora em dizer que apoiaria no processo democrático de discussão interna um candidato, no caso, Mauro Mendes, para receber o apoio do PT ao governo? É incoerente seguir aqueles que a apoiaram? É preciso lembrar que Mendes esteve há dois anos sendo sustentado em sua candidatura a prefeito de Cuiabá pelo PT. Onde está a incoerência? Outro detalhe: quem estava construindo a aliança com o PMDB? O PT ou o grupo que se arvorou do partido?

Já disse e repito: acostumaram a vender o PT e entregar apenas a metade. Não seria isso a incoerência?

Serys empregou uma derrota política a esse grupo, que agora, maquinado pelo poder, se revela publicamente truculento, ameaçando-a de expulsão. O PT vai para a decisão de forma democrática, no debate, na discussão. Mais uma vez. Sabemos até qual pode ser o resultado. Porém, a coerência está em primeiro lugar. Concordo que a política é, de fato, a arte da contradição. Mas jamais da traição. E Serys jamais traiu a sua história.