Neta de Villas Boas, em São Félix do Araguaia. História mal contada e direitos de produção em jogo
Kelly Regina Villas Boas, a Kellynha, filha de Mariza Villas-Boas e neta de Leonardo Villas Boas com Ilda Soares, popularmente conhecida como “Maria Villas Boas”, vive numa situação difícil economicamente, mas diz se sentir orgulhosa pela história de seu avô, Leonardo Villas Boas, como sertanista, e pelo que ele foi por sua história na ocupação do Centro Oeste brasileiro. Porém, entende que a história não está sendo contada como de fato aconteceu, principalmente na produção do filme “Xingu”, que relata a saga dos irmãos Villas Boas.
Segundo Kelly, ”Xingu” mostrou a existência de uma índia com Leonardo havia tido um relacionamento passageiro do qual teria nascido, também , uma filha. No entanto, não falou da existência da verdadeira família de Leonardo Villas Boas, formada por Maria Villas Boas (esposa), Álvaro Villlas Boas, Mariza Vilas Boas e Marina Villas Boas (filhos). Para ela, a história foi suprimida.
Kelly diz não estar querendo provar que é uma Villas Boas. Segundo ela mesmo, essa questão já está superada por documentos como certidões de nascimento e casamento. Ela apresenta os documentos O que ela quer buscar agora é o direito de ser reconhecida na história.
A neta de Villas-Boas conta que com a morte de Leonardo, os demais parentes procuraram excluir essa parte da família e diz que sua tia Marina que mora em São Paulo, foi separada dos demais irmãos e levada por um dos irmãos de Leonardo, logo após sua morte, para estudar em São Paulo e nunca mais tiveram contato.
“Não estou falando dos outros, estou falando de Leonardo Villas Boas que é meu avô, pai de minha mãe, Mariza Villas Boas, no entanto ficamos excluídos dessa historia. Essa historia não está sendo verídica, está errada, essa historia tem que mudar. Eles têm que entender que nós somos Villas Boas, nós somos existentes e vivemos aqui em São Félix do Araguaia, mais nós nunca fomos reconhecidos“ - desabafa Kellynha.
A família vai reclamar os direitos sobre a produção do filme “Xingu”, e outros direitos que de fato são seus. Kelly sugere que Marina Villas Boas, sua tia que mora em São Paulo, venha conhecer Maria Villas Boas, sua verdadeira mãe, e se coloca a disposição para fazer exames de DNA.
O filme de Francisco Meirelles tenta retratar uma viagem sem paralelo na história, com batalhas, 1.500 quilômetros de picadas abertas, 1.000 quilômetros de rios percorridos, 19 campos de pouso abertos, 43 vilas e cidades desbravadas e 14 tribos contatadas, além das mais de 200 crises de malária, os irmãos Villas-Bôas conseguem fundar em 1961 o Parque Nacional do Xingu, um parque ecológico e reserva indígena que, na época era o maior do mundo, do tamanho de um país como a Bélgica.
Na aventura, os Villas-Bôas conseguem passar pelo território Xavante, de índios corajosos e guerreiros sem nenhuma baixa de ambos os lados. Em seguida, deparam-se com os Kalapalos, os famosos e temidos que teriam matado o explorador inglês Percy Fawcett. Mas, apesar de toda a apreensão e ao contrário do que imaginavam, os irmãos ficam amigos do grande chefe Izarari, e se encantaram com a cultura e os costumes locais. Não previam ainda que ali viveriam a primeira tragédia de suas vidas: um surto de gripe, trazido por eles mesmos, que quase dizima toda a aldeia.