Fonte:R7
Pela primeira vez o Brasil tem duas candidatas à Presidência com grandes chances de sucesso eleitoral, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), mas não são só as ex-ministras de Luiz Inácio Lula da Silva que andam fazendo sucesso na política. Nos partidos da oposição, como DEM e PSDB, as mulheres também têm conquistado mais espaço e cargos importantes. É o caso das senadoras Marisa Serrano (PSDB-MS) e Kátia Abreu (DEM-TO), duas das mais combatentes representantes da ala feminina no Congresso.
Marisa, que ocupa a vice-presidência do PSDB, chama a atenção para o crescimento da participação feminina entre os tucanos e cita ao menos cinco nomes que conseguiram um espaço em um terreno dominado pelos homens: o da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), da ex-deputada federal cearense Moema São Thiago, da ex-governadora do Distrito Federal Maria de Lourdes Abadia, e das deputadas Andreia Zito (PSDB-RJ) e Thelma de Oliveira (PSDB-MT).
Para a senadora do PSDB sul-mato-grossense, a chance de alguma das tucanas disputar cargos majoritárias em eleições futuras, como a Presidência, vai depender de circunstâncias políticas e da disposição da mulher em se candidatar.
- É muito interessante que mulheres se candidatem. Mas o que eu não aceito é que a gente vote pelo gênero, só porque é mulher. A gente tem que votar pela competência, pela seriedade, pelos compromissos, pela experiência, pelos projetos.
Entre as barreiras para a eleição de mulheres, Marisa aponta a falta de militantes interessadas em concorrer.
- Não estamos conseguindo, no Brasil inteiro, preencher a cota para mulheres. Você pode perguntar para qualquer partido se é fácil preencher isso. Não é.
Já no DEM, além de Kátia, primeira mulher a ocupar a liderança da bancada ruralista no Congresso, Valéria Pires Franco, a vice-presidente do DEM, é outro nome feminino a despontar no partido. As duas chegaram a ser cogitadas para a vaga de vice na chapa de José Serra (PSDB) nas eleições deste ano.
A deputada e presidente do Secretariado Nacional do PSDB Mulher, Thelma de Oliveira, diz que não teve dificuldades diferentes das dos homens ao disputar eleições. Para ela, um dos maiores entraves que as mulheres enfrentam na carreira política é o financiamento para campanhas.
- A mulher é criada para ficar em casa, para a questão do privado. Quando vão para o espaço público, o que mais desanima as mulheres é fazer a arrecadação financeira. Nosso sistema eleitoral é preconceituoso, ainda é machista, e privilegia as candidaturas quem têm um maior poder aquisitivo.
Thelma, que é viúva do ex-deputado e ex-governador de Mato Grosso Dante de Oliveira, defende o financiamento público das mulheres para criar condições mais igualitárias entre quem disputa eleições. A deputada também avalia que mudanças culturais, como apoio dos companheiros, podem estimular mais candidaturas femininas.