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Ságuas avalia que PT enfraquece com sua saída, mas diz que decisão de deixar política é definitiva

14/01/2018
Fonte: Érika Oliveira/Olhar direto

Foto: Reprodução
 
 

Após 22 anos longe da medicina o deputado federal Ságuas Moraes (PT) anunciou, no final do ano passado, que iria deixar a vida pública e voltar a dedicar-se à pediatria na cidade em que mora a sua família, o município de Juína. Esta semana, em entrevista ao Olhar Direto, o médico avaliou que, com sua saída, o Partido dos Trabalhadores perde uma importante liderança no Estado, mas garantiu que sua decisão de deixar a vida pública é definitiva.



“É uma decisão que eu tomei há uns dois anos atrás e que veio amadurecendo de lá para cá, junto com a minha família e comigo mesmo. Esse ano eu completo 22 anos de mandatos ininterruptos, eu acho que eu dei a minha contribuição. Pretendo voltar para Juína e ficar mais próximo da minha família, da minha esposa, dos meus filhos, porque nesses 22 anos eu fiquei muito ausente”, disse o deputado.



“Para voltar à medicina eu precisei voltar a estudar, esse ano pretendo estudar ainda mais, vou fazer alguns cursos, então não dá para daqui a quatro anos largar tudo e voltar de novo. Minha decisão é de que depois que eu me afastar [da política], eu vou ficar até o final da minha vida trabalhando como médico”, acrescentou, garantindo ainda que vai permanecer filiado ao PT e atuando na militância municipal do partido, em Juína.



Ságuas foi duas vezes prefeito de Juína, duas vezes deputado estadual, duas vezes deputado federal e duas vezes secretário de Estado de Educação. Em 2014, conquistou 97,8 mil votos, sendo o quarto mais votado em Mato Grosso para a Câmara Federal. Ele também exerceu vários cargos no Diretório Regional do PT, ao longo de quase 30 anos de militância. É médico, formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), especialista em pediatria.



E, embora já tenha se reunido para debater o assunto, a cúpula do PT no Estado ainda não anunciou quem irá disputar a vaga que hoje pertence à Ságuas pelo partido. O parlamentar, no entanto, não hesita em dar a sua opinião sobre o assunto.



“O Lúdio é um nome que poderia ir à majoritária, mas isso depende dele. O Lúdio já disputou a Prefeitura de Cuiabá e teve um desempenho importante, já disputou para governador, então ele é um nome que poderia disputar qualquer candidatura, desde estadual até governador. É alguém que está preparado e que tem condições de disputar para valer. O que ele definiu é que vai tentar para deputado estadual, mas ainda é preciso discutir com o diretório nacional, depende muito do cenário”, avaliou.



PT em Mato Grosso

Alvo dos principais escândalos de corrupção desmantelados no Brasil nos últimos anos, o Partido dos Trabalhadores perdeu não só a credibilidade de grande parte dos seus eleitores, como também o entusiasmo de sua militância. E, com o desgaste da sigla em todo o país, o diretório do PT em Mato Grosso, comandado pelo deputado Valdir Barranco (PT), tem como desafio buscar a unidade do partido para o fortalecimento da legenda e, em consonância com o projeto nacional, preparar um palanque robusto para a volta de Lula.



Na opinião de Ságuas, o desempenho ruim do Governo Michel Temer (PMDB), no entanto, poderá ajudar não só o PT, mas também outros partidos, a se destacaram nas próximas eleições. “A situação é difícil de um modo geral para todos os partidos. A política depois do golpe contra a presidenta Dilma ficou em xeque. Mas agora, depois do desgoverno do Michel Temer, o PT deve se recuperar porque as pessoas estão percebendo que esse Governo que prometeu mil maravilhas tem sido um desastre. Isso de certa forma restaura a nossa condição, tanto que o presidente Lula já está disparado na frente das pesquisas”, considerou.



Em seu último ano na política, além de citar o nome de Lúdio como seu possível sucessor, Ságuas afirmou que aposta ainda nos deputados Allan Kardec e Valdir Barranco, como nomes de peso para o próximo pleito, e no vice-prefeito de Juína, Luis Braz de Lima, como uma novidade para os eleitores do Estado.



“Aqui no Estado, com essa decisão minha, é mais uma liderança que poderia estar a frente do processo, contribuindo para o partido. Mas não dá para mim, individualmente, ficar mais quatro anos. Enfraquece o partido, mas o PT tem outras lideranças importantes, como o Lúdio, o Valdir Barranco, o Luis Braz, tem o Henrique [presidente do Sintep-MT], tem o Allan, enfim, uma série de companheiros. Mas, quanto à questão do palanque em Mato Grosso, uma vez que o Lula for candidato a presidente, nós não teremos dificuldades”, finalizou.

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