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Com a carne mais saborosa e cara do mundo, raça Wagyu ganha os pastos de MT

Um dos pontos que mais chama a atenção na carne do boi japonês, além do preço, é o seu marmoreio com veios de gordura entremeados em suas fibras, imitando uma pedra de mármore, o que confere maciez e sabor e

09/08/2017
Fonte: MATO GROSSO AGRO

 

 

 Introduzida no Brasil nos anos 1990 a raça bovina japonesa Wagyu, com uma das carnes consideradas mais saborosas e caras, tem cada vez mais ganhado os pastos mato-grossenses. Segundo criadores, apesar do custo de produção girar em torno de 40% a 50% do valor do animal, a raça apresenta bom desenvolvimento, terminação e é muito precoce com fêmeas emprenhando com 10-11 meses, enquanto o Nelore em torno de 10% das fêmeas emprenham aos 18 meses.

 

   Um dos pontos que mais chama a atenção na carne do boi japonês, além do preço, é o seu marmoreio com veios de gordura entremeados em suas fibras, imitando uma pedra de mármore, o que confere maciez e sabor especial à carne.

 

   Com um rebanho de aproximadamente 250 cabeças de Wagyu puro, a Genética Coroados, localizada em Juína, começou a criar a raça há oito anos em Mato Grosso por meio de cruzamento.

 

   Segundo o sócio proprietário da Genética Coroados, Jorge Basílio, a criação do gado japonês começou por uma curiosidade, após assistir uma reportagem falando sobre a raça.

 

   "Achei interessante e como a gente já trabalhava com inseminação artificial eu resolvi comprar umas doses de sêmen de Wagyu para fazer cruzamento. Comecei com cruzamento de Wagyu com Nelore. Comprei 50 doses e fiz uma IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) na raça Nelore e nasceram 26 animais", conta Jorge Basílio. O pecuarista revela que como o mercado não pagava um diferencial pelos animais, os menos eram abatidos para consumo próprio.

 

   Durante uma feira pecuária em São Paulo, Jorge Basílio revela ter visto animais da raça Wagyu, inclusive o touro ao qual havia comprado o sêmen para inseminar em fêmeas Nelore. "Decidi investir. Hoje, temos Wagyu puro. Compramos duas doadoras e trouxemos esses animais para a região de Juína e fazemos transferência de embrião. Atualmente tenho um rebanho de aproximadamente 250 cabeças de Wagyu puro e continuamos a realizar cruzamento com outras raças".

 

   Conforme o criador, o Wagyu é um animal que necessita de um tratamento diferencial em comparação a outras raças, como o Nelore, pois é um animal mais tardio.

 

   "Para ele dar marmoreio ele tem que ficar no cocho 360 a 400 dias e você vai ter que abater ele com 700 a 750 quilos. Então, ele é um animal que tem um custo mais elevado do que outras raças", explica.

 

   Hoje, o custo do boi japonês, incluindo a transferência de embrião até a alimentação, gira em torno de 40% a 50% de seu valor. "Esse é o custo de produção dele. Você tem um animal Nelore que vai valer uns R$ 2 mil, o Wagyu que você vai vender por R$ 5 mil, você gastou às vezes cerca de R$ 2,5 mil para produzir esse animal. O custo de produção é em torno de 40% a 50% do valor dele".

 

Carne de Wagyu

 

   No campo o Wagyu é considerado uma raça muito dócil e precoce. “O Wagyu é extremamente dócil. Você pode entrar no meio do campo e ele não fará nada. Ele é uma raça muito precoce também. É uma das raças mais precoces que existe. As fêmeas com 10-11 meses estão emprenhando e os bezerrinhos se você não tirar do meio já vai emprenhando as irmãs. O Nelore em torno de 10% do rebanho, o que é pouquíssimo, vai emprenhar aos 18 meses, mas em via de regra o Nelore é depois dos 24 meses”.

 

Carne valorizada

   A carne do Wagyu, na opinião do pecuarista, é mais cara e valorizada em relação à carne de outras raças por ter um sabor único. "Não há outra raça que marca esse paladar da carne e com marmoreio e maciez, com suculência. É uma carne totalmente diferenciada das outras. Acho que é por isso que é mais valorizada. As pessoas acham que é muito caro, mas não é tão caro. Já está mais acessível”.

 

   A Genética Coroados está iniciando os trabalhos de abate de Wagyu puro para comercialização da carne. "Por enquanto, visto o frigorífico que abate para nós possuir apenas inscrição municipal, nós estamos comercializando apenas na região de Juína. Estamos trabalhando, também, para a liberação dos selos de inspeção estadual e federal para podermos vender essa carne em Cuiabá e demais regiões do Brasil. Agora nós estamos abatendo pouco Wagyu. Em torno de um a dois animais por mês. Mas, queremos atingir quatro a cinco cabeças por mês".

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