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Diretor de presídio em Manaus onde houve massacre é afastado

Ele é suspeito de receber propina de presos. Denúncias foram enviadas por presos à Defensoria Pública do estado.

11/01/2017
Fonte: G1.globo.com/jornal-nacional

 

O governo do Amazonas afastou o diretor do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde 56 presos foram assassinados na semana passada. Ele é suspeito de receber propina de presos.

 

A denúncia foi feita por dois presos em cartas do dia 10 de dezembro de do ano passado.

 

Eles relataram que o diretor interino, que eles chamam pelo sobrenome Carvalho, ameaçava colocá-los em outra ala, onde corriam risco de morte.

 

Segundo os presos, a intimidação começou por eles saberem que a direção recebia dinheiro para facilitar a entrada de drogas, celulares e armas. E de facilitar uma fuga no presídio.

 

Nesta terça-feira (10), o governo do Amazonas afastou o diretor interino do complexo, José Carvalho da Silva, e declarou que vai investigar as denúncias.

 

As cartas foram enviadas à Defensoria Pública do estado, que encaminhou um pedido para que um dos presos continuasse no local onde estava dentro presídio. O documento foi encaminhado à Vara de Execuções Penais, mas não houve resposta.

 

Os dois presos que assinaram a denúncia foram assassinados na rebelião da semana passada, que resultou em 56 mortes no presídio.

 

Na manhã desta terça, 20 presos que também sofriam ameaças de outros detentos retornaram para a cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa. Na segunda-feira (9), eles tinham sido transferidos para um presídio na Região Metropolitana, mas a Justiça entendeu que eles também corriam riscos na nova unidade e determinou a volta para Manaus menos de 24 horas depois da transferência. A chegada foi tensa.

 

“Não é para deixar a gente entrar para dentro cadeia, vão matar nós”, disse um dos presos.

 

“Tu vai morrer, safado. Eu vou ter o maior prazer de arrancar tua cabeça, seu safado. Vou arrancar tua cabeça eu, tu e desse outro safadinho aí. Safado”, falou outro.

 

O clima no retorno deixou os familiares preocupados do lado de fora.

 

  “A ida para Itacoatiara foi uma tentativa, lá em Itacoatiara seria o mesmo risco para um local que não tem risco. Olha, se tivesse outro lugar para colocar... na Vidal, sabe qual é vantagem? É que são só 270 pessoas para controlar”, disse Sérgio Fontes, secretário de Segurança do Amazonas.

 

Os reforços na segurança que o governo do Amazonas pediu ao Governo Federal começaram a chegar a Manaus. Cem homens da Força Nacional desembarcaram nesta terça e vão ajudar na guarda externa do Complexo Penitenciário Anísio Jobim - local do massacre da semana passada.

 

Agentes federais do Departamento Nacional de Penitenciária chegam à cidade na quinta-feira (12) para analisar o sistema prisional do estado.

 

A equipe do JN não conseguiu contato com o diretor afastado, José Carvalho da Silva. A Defensoria Pública do Estado reafirmou que fez o pedido para a justiça manter os presos em local seguro.

 

O juiz da vara de execuções penais, Luís Carlos Valoá, confirmou que recebeu o pedido, mas disse que estava impedido de fazer transferências de presos por uma resolução do Ministério Público Estadual.

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