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Fifa confirma Copa do Mundo com 48 seleções e overdose de partidas

Em documento enviado às federações, a própria Fifa vê problemas esportivos no formato que será adotado a partir do Mundial de 2026.

10/01/2017
Fonte: GLOBO ESPORTE/ Por Martín Fernandez e Ivan Raupp Zurique
 
 
Cristiano Ronaldo premio Fifa the best infantino (Foto: Reuters)
Infantino entrega prêmio "The Best" a Cristiano Ronaldo: nova fórmula da Copa será oficializada nesta terça em Zurique (Foto: Reuters)
 
 

A nova Copa do Mundo, a ser disputada por 48 seleções a partir de 2026, terá uma overdose de partidas nos primeiros dias de disputa. O novo formato do Mundial não vai alterar o número de estádios (12), nem sua duração (32 dias), e nem o número de jogos dos finalistas (7). Mas vai aumentar o número de jogos dos atuais 64 para 80. A Fifa confirmou a mudança de maneira oficial na manhã desta terça-feira.

 

- O Conselho Fifa decidiu unanimemente por uma Copa do Mundo com 48 times a partir de 2026: 16 grupos de três times - anunciou em sua conta oficial no Twitter.



As 48 seleções serão divididas em 16 grupos de três times. Os dois melhores de cada chave avançam ao mata-mata. Os 32 então viram 16, que se enfrentam em oitavas de final e assim por diante.



Os grandes clubes europeus são frontalmente contra o inchaço da Copa - batalha que está perdida. Para acomodar tanto jogo em tão pouco tempo, a Fifa espremeu a fase de grupos e a primeira fase eliminatória: serão 48 jogos em 12 dias - ou seja, quatro por dia.



No novo formato, serão quatro jogos por dia nos primeiros 15 dias de Copa (60 no total), e a primeira pausa será apenas no 21º dia de competição. No atual, são disputadas 25 partidas no mesmo período de 15 dias e então há a primeira pausa.

 

Documento Fifa Copa 48 seleções (Foto: Reprodução)
Documento confidencial da Fifa mostra como seria chaveamento na Copa com 48 seleções (Foto: Reprodução)



Essas informações fazem parte de um documento enviado pela Fifa para as confederações continentais, no qual estão detalhadas as propostas de inchaço da Copa do Mundo. O GloboEsporte.com teve acesso ao relatório, de 64 páginas. 



A Fifa vê dois problemas "esportivos" no novo formato: o tempo de descanso entre os times na primeira fase fica desequilibrado, e a decisão da fase de grupos não ocorre em jogos simultâneos (pelo número ímpar de componentes de cada chave).



Para essa segunda questão, a Fifa levanta uma possibilidade: disputa de pênaltis ao final de cada partida como uma forma de evitar empates. Desta forma, todos os classificados seriam decididos por pontos conquistados e não por outros critérios -- como saldo de gols, por exemplo.



Eventuais mudanças no regulamento, como esta disputa de pênaltis em todos os jogos, só serão discutidas mais para a frente. A sede (ou as sedes) da Copa de 2026 será decidida em 2020.

 

A América do Sul deve ter seis vagas diretas na Copa, com mais uma na repescagem (atualmente são quatro mais uma). Essa divisão para cada continente ainda pode sofrer alterações, mas houve um acordo prévio entre as seis confederações nos seguintes termos:

<b>Uefa:</b> 16 vagas
<b>África:</b> 9,5 vagas
<b>Ásia:</b> 8,5 vagas
<b>Conmebol:</b> 6,5 vagas
<b>Concacaf:</b> 6,5 vagas
<b>Oceania:</b> 1 vaga

Documento Fifa Copa 48 seleções (Foto: Reprodução)
A divisão dos jogos, dia a dia, caso a proposta de 48 seleções seja aprovada para a Copa de 2016 (Foto: Reprodução)



Mais jogos, mais dinheiro

O "impacto financeiro" e o melhor "potencial comercial" também são alguns dos argumentos da Fifa para ampliar o número de participantes da Copa do Mundo a partir de 2026. O Mundial, que hoje é disputado por 32 seleções, passará a ter 48 times a partir de 2026.



"Está claro que, do ponto de vista comercial, todos os formatos gerariam um impacto financeiro positivo. Alguns formatos seriam mais vantajosos do que outros. O formato de 48 times aparenta oferecer o melhor potencial comercial", diz o trecho na página 7 do documento enviado pela Fifa para as confederações continentais. A Fifa analisou quatro novos formatos possíveis para a Copa do Mundo - dois com 40 times, dois com 48. A decisão já foi tomada e será formalizada nesta terça pelo Conselho.



A Fifa estima que sua arrecadação vai aumentar em US$ 975 milhões com o novo formato - entre venda de direitos de televisão, publicidade, ingressos e outras receitas. A entidade também prevê gastar US$ 335 milhões. Ou seja: a Fifa teria um lucro adicional de US$ 640 milhões com a Copa inchada.



No relatório enviado para as confederações, a Fifa faz ponderações sobre esses valores. Diz a entidade que fez apenas um "exercício teórico" com base nas receitas estimadas para a Copa de 2018. 

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