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Diretas-Já

Data: Segunda-feira, 12/05/2014 00:00
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Diretas-Já

            Abril tem duas datas significativas que passam quase em branco na deficiente memória brasileira: a morte do presidente da República Tancredo Neves no dia 21, e a votação da emenda das Diretas Já, do deputado mato-grossense, Dante de Oliveira.no dia 25. Para refrescar a memória dos brasileiros que preferem afundar-se na torcida por times de futebol e embebedar-se de cerveja, a encarar a sua cidadania, de repente seria bom pensar que a História que será lembrada amanhã, é construída hoje.


            Em 1984 o Brasil vivia os últimos sinais da ditadura militar, enfraquecida política e economicamente. E economia do Brasil estava péssima, por conta dos cenários internacionais, principalmente a carestia do preço do petróleo na segunda crise de 1983. O Brasil importava muito petróleo, tinha uma inflação cruel e pipocavam rebeldias políticas. Em 1983 o deputado federal mato-grossense de primeiro mandato, Dante de Oliveira, apresentou uma emenda de poucas linhas redigida pelo seu pai, o legendário Doutor Paraná, e apresentou a um Congresso Nacional descrente. A emenda começou a tramitar e recebeu a paternidade de ídolos da oposição como Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela e tantos.


            A partir daí começaram os enormes e inesperados comícios em capitais, ao ponto de reunir 1 milhão e 200 mil pessoas em São Paulo, apesar da repressão do governo militar. Na modesta Cuiabá de então, ali na Praça Rachid Jaudy, cerca de 70 mil pessoas assistiram aos ídolos da campanha das Diretas Já, incluindo Dante de Oliveira.  Em 25 de abril de 1984 a emenda das Diretas Já foi á votação e reprovada por pequena margem de votos. Mas morria ali a ditadura. Tive a oportunidade de estar nas galerias da Câmara dos Deputados e assistir à votação e ao clima extremamente tensos.


            Dali até o final do ano transcorreram negociações entre a oposição e os militares para construir a transição do regime militar para o civil sem sangue nas ruas e sem retaliações. No dia 15 de janeiro de 1985, o Congresso Nacional elegeu, por eleição indireta como foram eleitos todos os presidentes militares anteriores., o governador de Minas, Tancredo Neves o presidente da República a partir de 15 de março de 1985. Mas Tancredo não tomaria posse porque adoeceu gravemente durante a missa de posse na Catedral de Brasília e morreria no dia 21 de abril do mesmo ano.


            Dante voltaria à Câmara dos Deputados e em 1985 se elegeria prefeito de Cuiabá. Ficaria feliz, se pelo menos entre uma cerveja e outra e os gols sem graça do alienante futebol brasileiro, os brasileiros se lembrassem de que são cidadãos e serão os responsáveis pela História futura deste pobre país dilapidado pela corrupção e pelo desgoverno!


Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@terra.com.br   www.onofreribeiro.com.br

 



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